A biosegurança é um conceito que ganhou maior relevância nos últimos anos, embora seja aplicada há muito tempo em diversos setores. Neste artigo, explicamos em que consiste e quais são os principais elementos que a caracterizam.
O que é a biosegurança?
Entende-se por biosegurança o conjunto de normas, protocolos e práticas destinados a prevenir qualquer risco para a saúde dos seres vivos e para o ambiente, normalmente relacionado com a exposição a agentes biológicos que possam provocar infeções, contágios, intoxicações ou alergias.
Normalmente, associamos a biosegurança à prevenção ou à redução, tanto quanto possível, da contaminação biológica, mas este conceito abrange muitas outras situações. De forma geral, podemos classificar todas as medidas de biosegurança nos seguintes três domínios:
- Risco biológico devido à exposição não controlada a agentes biológicos infecciosos.
- Biocontenção para evitar a propagação de doenças infeciosas.
- Bioproteção para reduzir o risco de perda ou libertação de agentes patogénicos, toxinas e outros agentes semelhantes.
Em que setores se aplica a biosegurança?
As medidas de biosegurança são aplicáveis em muitos setores, mas assumem especial importância nos seguintes:
- Indústria alimentar: com o objetivo de garantir a segurança dos alimentos para consumo, assegurando a sua inocuidade e promovendo, ao mesmo tempo, a atividade comercial.
- A agricultura e a pecuária: para evitar que as explorações agrícolas e pecuárias sejam expostas a doenças que possam vir a afetar a sociedade.
- O ambiente: em diversos contextos, desde as doenças transmitidas dos animais para os seres humanos até ao aparecimento de espécies invasoras, pragas que afetam plantas e animais, entre outros.
Níveis de biosegurança
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece uma classificação de quatro níveis de grupos de risco para laboratórios, baseada na classificação original de 1974 desenvolvida pelos Centers for Disease Control and Prevention (CDC) dos Estados Unidos. A cada grupo de risco corresponde um nível de biosegurança equivalente.
- Nível 1 de Biosegurança – Laboratório Básico: destinado ao trabalho com microrganismos de baixo risco (grupo de risco 1).
- Nível 2 de Biosegurança – Laboratório Básico: destinado ao trabalho com agentes associados a doenças humanas (grupo de risco 2).
- Nível 3 de Biosegurança – Laboratório de Contenção: destinado ao trabalho com microrganismos autóctones ou exóticos capazes de provocar doenças graves ou mesmo potencialmente fatais (grupo de risco 3).
- Nível 4 de Biosegurança – Laboratório de Contenção Máxima: destinado ao trabalho com agentes biológicos de elevado perigo, geralmente letais e para os quais ainda não existe vacina (grupo de risco 4).
Medidas de biosegurança e proteção
Cada nível de biosegurança exige a adoção de medidas de proteção específicas. Em qualquer dos casos, todas elas assentam na utilização de EPI para laboratório e de outros equipamentos de proteção individual, bem como na descontaminação das superfícies de trabalho.
A partir do segundo nível de biosegurança, é obrigatória a utilização de uma câmara de segurança biológica para procedimentos que possam gerar aerossóis ou salpicos potencialmente infeciosos, bem como a adoção de métodos alternativos de descontaminação.
A partir do terceiro nível de biosegurança, é obrigatório o uso de vestuário de proteção integral e a existência de áreas separadas para a manipulação de agentes biológicos. Além disso, deve ser instalado um sistema de fluxo de ar direcional contínuo, que assegure o fornecimento de ar limpo ao laboratório e às áreas potencialmente contaminadas.
No nível máximo de biosegurança, os profissionais devem utilizar um fato de pressão positiva de corpo inteiro, com fornecimento autónomo de ar. É igualmente necessário descontaminar todos os materiais antes de sair da área de trabalho e tomar duche no final das operações.



